Minha cabeça é completamente esquisita e isso até quem não me conhece sabe. Mas eu aposto como essas coisas não acontecem só comigo.
Hoje foi a comemoração do aniversário de uma amiga minha, e a festa que a gente prepara pra ela é igual todo o ano. Ela suspeita da existência de uma festa, mas sempre tá de pijama. São os mesmos antigos amigos e de novidade só os namorados (que já estão na “família” faz mais de ano). Então o papo é sempre o mesmo e gira em torno de “como as coisas eram mais fáceis no passado”. E na verdade isso é muito verdade. Quem vai comparar os nossos tempos de show no final de semana e 5 aulas por dia com: trabalhar o dia inteiro e estudar à noite, ou se dividir em 25 pra pagar todas as contas? Ta certo que, nessa parte, pra mim a alteração foi mínima. Mas tem sempre um lado que pesa mais e, apesar de um dos meus maiores problemas terem genealogia lá daquela época, hoje em dia nem se compara. E então a cabeça só guarda o que convém. Parece que o esquema funciona da maneira mais bucólica, no pensamento só te vem coisa boa. Mas na hora de viver e ter medo, são as marcas que assumem o controle. Eu já vi muita gente por aí se gabando por 2004 e 2005. Cantando vitória e esquecendo que o porquê dos últimos fracassos tá bem ali, misturado no fastígio da felicidade.
É parecido com quando você achava que saber na teoria era o suficiente pra te tornar especialista na arte de viver. Aí chegou um estraga-prazeres e te disse que viver tomava 80% da importância do saber, que teoria era bosta e que você, provavelmente, ia mudar de pensamento num piscar de olhos. E o pior de tudo é que isso de fato aconteceu. E você ficou com cara de pudim e odiando não saber de tudo.
É quando você pára de querer viver de novo e vê que mesmo se existisse uma máquina do tempo, ela ia ser legal uma vez só. É que mudar faz parte da lição de casa (que você faz todos os dias quando chega em casa, antes de sair pra brincar). E que tua realidade tem mais prós que contras, e que tua mente precisa disso. Precisa seguir nesse ritmo e que tua evolução tem cara de anomalia, mas olhando uma segunda vez é até mais bonita que o teu ontem.
E aí mesmo você percebendo que mais fácil não é necessariamente o melhor, você lembra que teoria é bosta e que amanhã é um novo dia pra lembrar das tuas velhas primaveras e dizem em alto e bom som: SINTO SAUDADES E QUERO DE NOVO!