A pressa é tanta que ficou meio que por arrumar. Nem ligo, já me atrasei mesmo.
Cada passo que dou, percebo o quanto somos surpreendidos a cada movimento. Sempre esperamos que as coisas andem entre certos pontos. De repente tudo dá uma reviravolta e você fica parado, com cara de coruja com frio. Ao menos foi o que eu vi acontecer com meu vizinho, padeiro, carteiro, prima da tia-avó. Mas nunca no espelho.
Acontece que comigo sempre foi diferente, eu saia com pressa e esperando que aparecesse um elefante roxo pra me teletransportar pra um mundo paralelo bonito e cheio de enigmas. E o elefante geralmente aparecia, geralmente não roxo e nem me transportava pra um universo tão bonito assim (ou cheio de enigmas), mas o fato era que eu nunca me surpreendia de verdade. As tuas surpresas eram o meu cotidiano e eu gostava de viver assim. Mesmo que com surtos a cada vez que o tédio me sufocava ou quando as respostas se perdiam e, na pior das hipóteses, quando elas me encontravam.
Dá pra contar nas moedas da minha carteira as vezes que eu me surpreendia. E quando eu julgava uma surpresa boa, queria tanto cantar vitória, que esquecia da simetria das marcas do meu coração e apostava até minha meia furada no meu novo número da sorte. Com o ritmo acelerado do Sol se pôr e nascer em seguida, fui percebendo que o novo número da sorte deixou de ser tão novo e que eu me encaixava tão bem na velha caixinha, com meus velhos botões. E depois de tanto tempo achando que meu destino eram conflitos e questionamentos que resultavam em noites mal dormidas. Pensando em como eu me resolvia até que bem sozinha, você vem e resolve todos os meus dilemas sem nenhum esforço, me arranca os sorrisos mais gostosos e me devolve de um jeito e velocidade que nem o Aurélio (com tantas páginas) explicaria. Parabéns por depois de todo esse tempo me fazer feliz em meio a tanto caos, parabéns pelos poucos anos de vida... nem o maior laço do mundo, ou melhor, nem o maior laço do meu mundo bonito e cheio de dúvidas seguraria o que desejo pra ti.