O problema é minha insistência na profundidade pro raso.
Quando te falei do meu time, o dos olhares, esqueci de te falar (e de perceber) sobre o meu olhar. Tentando olhar de fora, ele me soa muito traiçoeiro. Eu ousaria dizer que. também. um pouco falso. Mas como uma fiscal de fabricação dos meus olhares, sei que não é.
Quando te falei do meu time, o dos olhares, esqueci de te falar em qual posição eu jogo. Fico ali, meio escondida. Nem na defensiva e muito menos no ataque. Te lanço meus olhares mais profundos, intensos e cheios de paixão. Você me olha, como se não merece, mas quisesse. E aí vem o roteirista de qualquer novela mexicana e traça nossa história. Eu passo alguns meses te conhecendo e quando encontro alguma dificuldade em te mostrar minha verdade, ou quando sou vencida pelo cansaço, eu simplesmente mudo de lugar. Passo a atuar fora do campo, a ser da torcida desorganizada. E mesmo que com a garganta rouca de tanto vibrar, você continua achando meu olhar falso e traiçoeiro.
Aí você pergunta o porquê desse círculo vicioso e eu te respondo: não consigo viver sem essa entrega que me corta em pedaços. Mesmo que junta-los, no final, dê tanto trabalho.
domingo, 9 de março de 2008
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