sexta-feira, 30 de maio de 2008

Another sunny day.

Fazia muito tempo que não sabia mais o gosto da melancia virando suco, no quintal do interior de São Paulo. Muito menos a sensação de paz eterna, se bobear virando tédio, de deitar na rede e ficar por horas, sem dever nada pra ninguém, esperando a janta e em seguida alguns jogos com o baralho. Eu nunca gostei de ficar muito tempo na casa da minha avó Teresa e nunca entendi o quão necessário isso era pra mim. Nunca entendi nada de nada e fui obrigada a entender muito cedo, mas não era culpa de ninguém. E aí quando fomos (de pouquinho em pouquinho) parando de viajar tanto tempo, parar naquela cidadezinha mínima e quente demais, eu percebi que precisava. Mas não naquela época. Eu precisei desse tempo na rede, na melancia, no baralho nos últimos cinco anos. Depois de toda a euforia que acabei me acostumando, as férias na casa da vovó pareciam vestir meu número... Mas não deu. Então eu comecei a me acostumar à idéia de que não seria mais tão fácil e a cada dia ficava mesmo mais difícil. Não sei se passava ano e eu entendia melhor, se as coisas realmente pioravam e apareciam mais problemas, só sei que eu mal me lembrava da sensação que as férias no interior me proporcionavam.

De repente mudou e ficou mais leve que teu brinco de pena. Pareceu até mágica, parecia nuvens, parecia um montão de coisas inimagináveis. E, inversamente proporcional, a cada hora ficava mais leve, mais feliz e mais silencioso. Esse silêncio oscilava entre um barulho bom e os dois acabavam me dizendo que estava tudo bem. Há tantos anos que eu queria sentir que estava tudo bem e agora eu não preciso me esforçar pra perceber que realmente está.

Os problemas não foram raptados da minha vida, continuam lá pra me lembrar que ainda tem coisa pra se acertar. Mas agora me parece muito mais atingível, me dá vontade de citar um milhão de frases clichês, daquelas bem bocós. E eu desconfio que essa paz toda tem nome...

terça-feira, 6 de maio de 2008

When I close my eyes, I remember why I smile.

A pressa é tanta que ficou meio que por arrumar. Nem ligo, já me atrasei mesmo.


Cada passo que dou, percebo o quanto somos surpreendidos a cada movimento. Sempre esperamos que as coisas andem entre certos pontos. De repente tudo dá uma reviravolta e você fica parado, com cara de coruja com frio. Ao menos foi o que eu vi acontecer com meu vizinho, padeiro, carteiro, prima da tia-avó. Mas nunca no espelho.

Acontece que comigo sempre foi diferente, eu saia com pressa e esperando que aparecesse um elefante roxo pra me teletransportar pra um mundo paralelo bonito e cheio de enigmas. E o elefante geralmente aparecia, geralmente não roxo e nem me transportava pra um universo tão bonito assim (ou cheio de enigmas), mas o fato era que eu nunca me surpreendia de verdade. As tuas surpresas eram o meu cotidiano e eu gostava de viver assim. Mesmo que com surtos a cada vez que o tédio me sufocava ou quando as respostas se perdiam e, na pior das hipóteses, quando elas me encontravam.

Dá pra contar nas moedas da minha carteira as vezes que eu me surpreendia. E quando eu julgava uma surpresa boa, queria tanto cantar vitória, que esquecia da simetria das marcas do meu coração e apostava até minha meia furada no meu novo número da sorte. Com o ritmo acelerado do Sol se pôr e nascer em seguida, fui percebendo que o novo número da sorte deixou de ser tão novo e que eu me encaixava tão bem na velha caixinha, com meus velhos botões. E depois de tanto tempo achando que meu destino eram conflitos e questionamentos que resultavam em noites mal dormidas. Pensando em como eu me resolvia até que bem sozinha, você vem e resolve todos os meus dilemas sem nenhum esforço, me arranca os sorrisos mais gostosos e me devolve de um jeito e velocidade que nem o Aurélio (com tantas páginas) explicaria. Parabéns por depois de todo esse tempo me fazer feliz em meio a tanto caos, parabéns pelos poucos anos de vida... nem o maior laço do mundo, ou melhor, nem o maior laço do meu mundo bonito e cheio de dúvidas seguraria o que desejo pra ti.