Eu passei muito tempo presa numa cela, onde eu achava que eu devia estar.
Por que ninguém me avisou que aquele crime eu não tinha cometido, esqueceram de me dizer que a cela era opcional.
Então eu fiquei cumprindo pena e com todo o universo dessa minha sala apertada, eu só sabia disso.
Inventava, de vez em quando, um e outro conto pra distrair, mas só sabia falar do cinza das paredes, e de como eu me sentia pequena ali.
Com o tempo eu aprendi a ver que eu era abençoada. Minha cela tinha tevê a cabo, uma biblioteca invejável, uma geladeira de primeira e recebia cartas de pessoas que ainda não haviam desistido de mim.
Foi aí que eu fiquei e defendi o cinza da cela, defendi minha verdade... Afinal era a única que eu conhecia.
E então que pagaram minha fiança e eu saí. Te digo que de fora o sorriso não é mais constante, a diferença é que aqui de fora não estou só eu.
E foi por isso que fui praticar o abandono da caneta, eu tô aprendendo com essa história de poder estar em quantas salas eu quiser. Me restou ainda alguma muletas daquela cela e continuo um poço de lamentações, mas assim que a preguiça for embora prometo mudar o mundo.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
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